Victor Câmara (de nome completo Victor Manuel da Câmara) nasceu em Ponta Delgada, a 19 de outubro de 1921. Caricaturista, retratista e pintor, destacou-se pela versatilidade técnica e pela diversidade temática da sua obra. Natural de Ponta Delgada, revelou precocemente aptidão para o desenho, realizando as suas primeiras exposições ainda na adolescência, no atelier de Luís Bernardo Leite Ataíde.
Frequentou o ensino de Artur Viçoso May e de Domingos Rebelo, cuja influência se manifesta sobretudo na sua fase inicial, marcada por uma aproximação ao regionalismo açoriano. Nos primeiros anos, desenvolveu atividade em áreas aplicadas, como a decoração de montras, cartazes e cenografia, paralelamente à prática da aguarela.
Em 1950, apresentou em São Miguel um conjunto de obras com orientação surrealizante, que suscitou controvérsia local, mas que, exposto em Lisboa no ano seguinte, foi bem recebido pela crítica. A sua afirmação no meio artístico consolidou-se em 1957, após uma exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes, fixando então residência em Lisboa, onde prosseguiu a sua carreira.
Ao longo do seu percurso, evidenciou um perfil multifacetado, cultivando com igual competência a caricatura, o retrato, a paisagem e a pintura de imaginação alegórica, recorrendo a meios como a aguarela, o pastel e o óleo. A paisagem açoriana permaneceu como referência persistente, progressivamente depurada numa linguagem mais sintética e expressiva.
Regressou ao circuito expositivo açoriano em 1985, após prolongada ausência, sendo então reconhecido pela crítica como uma figura relevante no contexto artístico regional. A sua obra encontra-se hoje dispersa por coleções particulares e institucionais, nacionais e estrangeiras, tendo sido distinguido com diversos prémios e medalhas ao longo da carreira. Morreu em Paço d’Arcos, a 30 de novembro de 1998.
MÁRIO MONIZ / MCM e PEDRO PASCOAL DE MELO / PGRA (Maio, 2026)
Bibliografia consultada: