JORGE GAMBOA DE VASCONCELOS (1907-1995)


Nome completo:
Jorge de Melo Gamboa de Vasconcelos
Data de nascimento:
8 Outubro 1907
Nota biográfica:

JORGE DE MELO GAMBOA DE VASCONCELOS (São Pedro, Ribeira Grande, 8 de outubro de 1907 – Ponta Delgada, 2 de julho de 1995) foi médico, cirurgião, político, investigador e colecionador açoriano. Natural da ilha de São Miguel, era filho de Jorge Vasconcelos de Albergaria, escrevente, e de Isabel Tavares de Melo, professora.

Licenciado em Medicina, regressou aos Açores após a conclusão do curso, iniciando a sua atividade profissional no Hospital da Misericórdia da Ribeira Grande, instituição de que viria a ser diretor. Exerceu igualmente funções como Delegado de Saúde, destacando-se pelo seu contributo para a organização e desenvolvimento dos serviços de assistência médica em São Miguel.

Na vida política, presidiu à Comissão Distrital de Ponta Delgada da União Nacional e foi deputado pelo círculo n.º 22 (Ponta Delgada) na VIII Legislatura da Assembleia Nacional (1961–1965). A sua intervenção parlamentar incidiu sobretudo sobre matérias relacionadas com os Açores, designadamente os transportes aéreos, as infraestruturas, a economia regional, a saúde pública, a habitação e a agricultura. Integrou ainda a Comissão de Política e Administração Geral e Local.

Paralelamente à atividade profissional e política, dedicou-se ao estudo e divulgação da História da Arte. Colaborou regularmente na revista Insulana, publicada pelo Instituto Cultural de Ponta Delgada, instituição de que era sócio efetivo, e proferiu diversas conferências posteriormente editadas em livro e divulgadas na imprensa periódica.

Na sua residência em Ponta Delgada, situada na Rua José Maria Raposo do Amaral, reuniu um conjunto de mobiliário, artes decorativas, louças e objetos de arte, considerado, à época, um dos mais importantes acervos particulares existentes nos Açores. O imóvel correspondia à antiga residência de um abastado proprietário, industrial e político que deu nome à artéria, e de cuja família descendia a sua mulher, Maria Eugénia Raposo do Amaral de Viveiros. A formação deste acervo resultou de um processo continuado de pesquisa, aquisição e valorização de peças de diversas proveniências, incluindo exemplares obtidos no mercado antiquário e em leiloeiras de âmbito nacional, aquisições realizadas localmente e objetos integrados por via da herança familiar do casal. Mais do que uma reunião de bens de valor artístico, este conjunto traduzia o gosto, o conhecimento e a sensibilidade patrimonial do colecionador, refletindo igualmente a memória histórica, os modos de vida e o património material das famílias com as quais se encontrava ligado.

Após o seu falecimento, a coleção foi dispersa através de um leilão promovido pelo Palácio do Correio Velho, em colaboração com a Sotheby’s, realizado em Lisboa, em outubro de 1995. As peças de maior relevância histórica, artística e patrimonial foram adquiridas por diversas entidades públicas e particulares, sobretudo nos Açores, contribuindo para a salvaguarda e valorização deste importante legado cultural regional. Entre as instituições que incorporaram exemplares provenientes desta coleção encontram-se o Palácio de Sant’Ana, sede da Presidência do Governo Regional dos Açores, o Museu Carlos Machado e a Universidade dos Açores, entre outras entidades públicas e coleções privadas, onde estes bens permanecem como testemunhos da cultura material e do património artístico açoriano.

A sua biblioteca particular, constituída por cerca de um milhar de volumes, foi integrada em 2009 na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, por oferta da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
PEDRO PASCOAL DE MELO / PGRA (Julho, 2026)

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