Domingos Maria Xavier Rebêlo nasceu em Ponta Delgada, a 3 de dezembro de 1891. Foi pintor e professor, com atividade relevante no contexto artístico açoriano e nacional. Iniciou a sua formação no Colégio Fisher, em Ponta Delgada, revelando desde cedo aptidão para o desenho, e frequentou posteriormente a Escola de Artes e Ofícios Velho Cabral, onde se formou em desenho. Com apenas 13 anos, expôs a sua primeira obra numa montra do centro de Ponta Delgada, iniciativa que chamou a atenção dos Condes de Albuquerque, que financiaram a sua formação artística.
Em 1906 partiu para Paris, onde estudou na Académie Julian e frequentou cursos livres na Académie de la Grande Chaumière, contactando com o meio artístico internacional e com artistas portugueses aí presentes, como Amadeo de Souza-Cardoso e Emmerico Nunes.
Regressou a Ponta Delgada em 1913, iniciando um período de cerca de três décadas durante o qual conciliou a atividade docente com a prática artística, expondo regularmente nos Açores e em Lisboa. A sua obra, de matriz naturalista, caracteriza-se por uma forte ligação à realidade açoriana, com particular incidência na representação de costumes, tradições e tipos populares, frequentemente no âmbito da pintura de género e com marcada dimensão etnográfica e identitária.
Foi distinguido com uma medalha de prata numa exposição no Rio de Janeiro e, em 1925, com a medalha da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Participou, em 1939, numa exposição em São Francisco (Estados Unidos da América), onde uma das suas obras foi adquirida. Em 1940 foi nomeado diretor da Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada.
Fixou-se em Lisboa em 1942, tendo exercido funções como diretor e vogal da Academia Nacional de Belas-Artes (1947–1970) e diretor da Biblioteca-Museu do Ensino Primário. Realizou diversas encomendas públicas, destacando-se os painéis do Salão Nobre do Palácio de São Bento, os frescos da Igreja de São João de Deus, em Lisboa, e os programas decorativos dos tribunais de Angra do Heroísmo e de Ponta Delgada.
A sua produção integra algumas das obras mais emblemáticas da iconografia açoriana, entre as quais se destaca Os Emigrantes. Faleceu em Lisboa, a 11 de janeiro de 1975.
MÁRIO MONIZ / MCM e PEDRO PASCOAL DE MELO / PGRA (Maio, 2026)