PRATO
PRATO
PRATO
PRATO

PRATO

Plato [ES]
Plate [EN]
Assiette [FR]
Teller [DE]
皿 [JP]
Artes Decorativas e aplicadas
Olarias do Monte Sinai
- Produtor (atrib.)

Descrição:
Prato em faiança. Acessório de interiores, de uso cerimonial e decorativo. Produção portuguesa, não marcada; atribuída às olarias do Monte Sinai (Lisboa), circa 1675-1700.

Faiança rodada, com esmalte estanífero branco e decoração pintada a azul cobalto. Prato de grandes dimensões, de perfil circular e côncavo, com covo pouco profundo e aba larga levantada. O fundo é centrado por cartucho lobado com flor e folhagens, envolvido por cercadura com motivos ondulados e cordão de contas, enquadrada por filetes concêntricos. A aba organiza-se em cinco reservas com ramagens floridas, alternando com painéis de caneluras, num esquema radial regular, delimitado por duplos filetes. Pintura de traço solto, com variações tonais do azul. Verso sem decoração.

Fabrico atribuível a um conjunto de oficinas de faiança ativas na zona ocidental de Lisboa, nomeadamente na área das freguesias de Santos-o-Velho e de Santa Catarina do Monte Sinai, núcleo produtivo que a historiografia, seguindo o colecionador e investigador José Queirós (1856-1920), convencionou designar por “Monte Sinai”. Estas oficinas distinguiram-se pela execução de peças de elevada qualidade material e estética, sobretudo entre finais do século XVII e inícios do século XVIII. A peça inscreve-se na tradição europeia de inspiração asiática, comum na faiança portuguesa do período, refletindo a assimilação de modelos orientais filtrados pela gramática da faiança azul e branca, em particular através das produções de Delft e da circulação da porcelana chinesa de exportação, visível na paleta cromática, na organização radial e compartimentada da superfície e na valorização do motivo central.

Os pratos em faiança de grandes dimensões, como este, com decoração elaborada, eram peças de mesa, mas não de uso quotidiano; no século XVII, o seu papel era sobretudo simbólico e representativo, refletindo a posição social e o gosto do proprietário. Serviam para exposição e ostentação, dispostos em salões, mesas de cerimônia ou aparadores, demonstrando riqueza e bom gosto. Embora pudessem ser utilizados como “objetos de serviço de alimentos”, o seu uso na refeição era restrito a ocasiões especiais, como jantares formais ou celebrações, conferindo-lhes também caráter cerimonial. Alguns destes pratos funcionavam ainda como presentes simbólicos, associados a afeto, alianças sociais ou demonstração de prestígio.

A título de hipótese de proveniência, este prato poderá ter pertencido à coleção do 1.º Conde do Ameal, João Maria Correia Aires de Campos (1847-1920), reunida na sua residência, o antigo Colégio Universitário de São Tomás de Aquino (Ordem de São Domingos), em Coimbra, e posteriormente dispersa num leilão realizado em 1921. A informação provém do antiquário e colecionador Eduardo Rangel Pamplona Silvano (1924-1999), que, em 1986, cedeu  a peça à Presidência do Governo Regional dos Açores.
PEDRO PASCOAL DE MELO / PGRA (Julho, 2024)

Bibliografia consultada:
  • CALADO, Rafael Salinas. Faiança portuguesa da Casa-Museu Guerra Junqueiro: século XVII-XVIII. Porto: Câmara Municipal do Porto, 2003.
  • MONCADA, Miguel Cabral. Faiança portuguesa: séc. XVI a séc. XVIII. Lisboa: Scribe, 2008.
  • QUEIRÓS, José. Olarias do Monte Sinay. Lisboa: Typ. Castro & Irmão, 1913.
  • SANTOS, Reinaldo dos. Faiança portuguesa dos séculos XVI e XVII. [Porto]: Galaica, 1960.
  • SEBASTIAN, Luís C. P. A produção oleira de faiança em Portugal (Séculos XVI-XVIII) [Tese de Doutoramento]. Lisboa. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa, 2010 [Disponível em: (99+) A produção oleira de faiança em Portugal (séculos XVI-XVIII). Acesso em: 2 fev. 2024].
  • VENTE d'Objets d'Art. Collections Comte de Ameal. Catalogue Descriptif. Lisboa: Empresa de Móveis, 1921.

Dimensões:
Totais : A. 5 x D. 36,5 cm
Nº de Inventário:
PGRA-PS0118
Data de produção:
circa 1675 - 1700
Material e técnicas
Cerâmica (Faiança) -   Rodada, esmaltada e pintada
Incorporação:
Adquirido em 1986, durante a vigência do III Governo dos Açores (1984-1988), ao antiquário e colecionador Eduardo Rangel Pamplona Silvano (1924-1999). Integra desde então as coleções da Presidência do Governo dos Açores, estando em exposição no Palácio de Sant'Ana, em Ponta Delgada.

Autonomia dos Açores Digital | CollectiveAccess parametrizado e estendido por Estrutura para a Casa da Autonomia

Ao continuar a navegar no CCM - Património Museológico Açores está a aceitar a utilização de cookies para optimizar o funcionamento deste serviço web e para fins estatísticos.

Para mais informações, consulte a nossa Política de Privacidade.

Continuar