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PRATO

Plato [ES]
Plate [EN]
Assiette [FR]
Teller [DE]
皿 [JP]
Artes Decorativas e aplicadas

Descrição:
Prato em faiança. Acessório de interiores, de uso cerimonial e decorativo. Produção portuguesa, fabrico de Lisboa, circa 1650 - 1700.

Faiança rodada, com esmalte estanífero branco e decoração pintada a azul cobalto e vinoso de manganês. Peça de grandes dimensões, circular, côncava, de covo pouco profundo e aba larga levantada. O fundo apresenta medalhão circular com busto de mulher — vista de perfil, voltada para a esquerda, com amplo decote redondo e cabelo envolto em toucado — revelando clara influência da cerâmica italiana da época, onde este tipo de figuração feminina era designado por Bella Donna, acreditando-se que pratos deste tipo eram oferecidos como prova de amor ou afeto. O medalhão é envolto em vegetação ao gosto da porcelana chinesa, dentro de uma barra e dois filetes concêntricos. A aba é decorada com cercadura dita de “contas”, interpretação europeia das cabeças de Ruyi, o cogumelo mágico da mitologia chinesa associado à longevidade, delimitada por duas barras e dois filetes concêntricos. Verso sem decoração. Apresenta colados o ex-libris do Conde do Ameal e a etiqueta de lote do respetivo leilão.

Os pratos em faiança de grandes dimensões, como este, com decoração elaborada, eram peças de mesa, mas não de uso quotidiano; no século XVII, o seu papel era sobretudo simbólico e representativo, refletindo a posição social e o gosto do proprietário. Serviam para exposição e ostentação, dispostos em salões, mesas de cerimônia ou aparadores, demonstrando riqueza e bom gosto. Embora pudessem ser utilizados como “objetos de serviço de alimentos”, o seu uso na refeição era restrito a ocasiões especiais, como jantares formais ou celebrações, conferindo-lhes também caráter cerimonial. Alguns destes pratos funcionavam ainda como presentes simbólicos, associados a afeto, alianças sociais ou demonstração de prestígio.

Este prato pertenceu à coleção do 1.º Conde do Ameal, João Maria Correia Aires de Campos (1847-1920), reunida na sua residência, o antigo Colégio Universitário de São Tomás de Aquino (Ordem de São Domingos), em Coimbra, e posteriormente dispersa num leilão realizado em 1921. Esta proveniência é atestada pelo ex-libris do Conde do Ameal e pela etiqueta do lote do respetivo leilão, ambos colados no verso da peça, sendo ainda visível, nesta última, apesar do avançado estado de deterioração, um número que termina em "2". Esta observação poderá reforça a possível correspondência com o item n.º 1195 do catálogo desse leilão, descrito como: “Une assiette creuse en faïence portugaise, style baroque, XVIIème siècle. Décoration bleu et lie de vin. Sur le fond un buste de dame. Diàmetre, 0m,36.” (Prato fundo em faiança portuguesa, de estilo barroco, do século XVII. Decoração a azul e vinoso de manganês. No fundo, busto de dama. Diâmetro: 0,36m). A explicação para a diferença aparente relativamente ao valor de 0,36 m indicado no catálogo reside no facto de o diâmetro da peça variar entre 0,36 m e 0,38 m, o que se deve à variação natural da forma e à execução artesanal da faiança.
PEDRO PASCOAL DE MELO (Agosto, 2024)

Bibliografia consultada:
  • CALADO, Rafael Salinas. Faiança portuguesa da Casa-Museu Guerra Junqueiro: Século XVII-XVIII. Porto: Câmara Municipal do Porto, 2003.
  • MONCADA, Miguel Cabral. Faiança portuguesa: séc. XVI a Séc. XVIII. Lisboa: Scribe, 2008.
  • MUSEU Nacional do Azulejo. A Influência Oriental na Cerâmica Portuguesa  do Século XVII = Oriental Influence on the 17th Century Portuguese Ceramics. Lisboa: Lisboa Capital Europeia da Cultura 94; Milão: Electa,1994.
  • SANTOS, Reinaldo dos. Faiança Portuguesa dos Século XVI e XVII. [Porto]: Galaica, 1960.
  • VENTE d'Objets d'Art. Collections Comte de Ameal. Catalogue Descriptif. Lisboa: Empresa de Móveis, 1921.
  • WILSON, Timothy. Maiolica: Italian Renaissance Ceramics in the Metropolitan Museum of Art. Nova Iorque: Metropolitan Museum Of Art, 2016.

Dimensões:
Totais : A. 5 x D. 38 cm
Nº de Inventário:
PGRA-PS0122
Data de produção:
circa 1650 - 1700
Material e técnicas
Cerâmica (Faiança) -   Rodada, esmaltada e pintada
Incorporação:
Adquirido em 1986, durante a vigência do III Governo dos Açores (1984-1988), ao antiquário e colecionador Eduardo Rangel Pamplona Silvano (1924-1999). Integra desde então as coleções da Presidência do Governo dos Açores, estando em exposição no Palácio de Sant'Ana, em Ponta Delgada.

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