Copo de vidro. Objeto decorativo com função acessória. Produção francesa, não marcada, circa 1855-1870.
Peça cilíndrica em vidro opalino azul intenso, obtida por sopro e moldagem, com paredes direitas, base plana e boca cuidadosamente regularizada. A superfície frontal apresenta uma composição decorativa de folhagem, flores e aves estilizadas, executada a dourado e enriquecida com pequenos apontamentos de esmalte vermelho e branco. A ornamentação, de desenho plano e organização simétrica, conjuga referências neoclássicas tardias com motivos naturalistas amplamente difundidos na produção francesa do século XIX. O bordo superior e a base são rematados por filetes dourados, que reforçam o caráter decorativo da peça.
Embora concebido como acessório decorativo, este tipo de objeto assumia igualmente funções utilitárias, podendo funcionar como recipiente multifuncional de pequena escala, enquadrado nas tipologias oitocentistas destinadas a arranjos florais, serviço de secretária (porta‑lápis ou canetas) ou equipamento de toilette (higiene bucal).
Peças desta natureza foram produzidas por várias manufaturas francesas do século XIX, nomeadamente Baccarat e Saint‑Louis, reconhecidas pelo trabalho em opalina colorida e pela aplicação de douramento a frio. As particularidades técnicas e estilísticas deste exemplar aproximam‑no do gosto do II Império francês (Napoleão III), período em que estes vidros conheceram especial difusão. Embora a produção de opalina perdurasse até finais do século XIX, os elementos observados apontam para uma cronologia preferencial entre 1855 e 1870.
PEDRO PASCOAL DE MELO / PGRA (Fevereiro, 2026)
Bibliografia consultada:
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