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RETRATO DE D. CARLOS I, REI DE PORTUGAL

Portrait of D. Carlos I, King of Portugal
Artes visuais
Amâncio da Silveira Gago da Câmara, 1.º conde dos Fenais (1852-1919)
- Autor

Descrição:
Retrato, a óleo sobre tela, do rei D. Carlos I de Portugal. Retrato pictórico. Produção portuguesa, da autoria de Amâncio da Silveira Gago da Câmara (1.º conde dos Fenais), datada de 1904.

Retrato busto, a três quartos, virado para a esquerda. O rei traja à civil – de casaco e colete castanhos, camisa de golas engomadas e laço brancos – e apresenta a cabeça descoberta. Assinado e datado, na parte inferior do verso da tela: "Conde dos Fenais//Pinxit//1904". Enquadrado em moldura retangular larga, em madeira e gesso dourados, decorada com frisos vegetalistas e perlados.

D. Carlos I de Portugal (1863-1908; rei 1889-1908), conhecido como "o Martirizado" ou "o Diplomata", nasceu a 28 de setembro de 1863, em Lisboa (Portugal), filho primogénito do rei D. Luís I de Portugal (1838-1889; rei 1861-1889) e da rainha D. Maria Pia (1847-1911; rainha 1862-1889).  Recebeu na pia batismal o nome de Carlos Fernando Luís Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança. Casou em 1886, ainda herdeiro da coroa, sendo Príncipe Real e duque de Bragança, com a princesa D. Amélia de Orleães (1865-1951; rainha 1889-1908), filha dos condes de Paris, com quem teve dois filhos, o Príncipe Real D. Luís Filipe (1889-1908) e o infante D. Manuel de Bragança, duque de Beja, que após o regicídio de 1908 seria o rei D. Manuel II de Portugal (1889-1932; rei 1908-1910). O seu reinado, inaugurado em 1889, foi marcado por diversas perturbações políticas e económicas e uma constante agitação social, o que promoveu o descrédito da monarquia e favoreceu o crescimento do sentimento republicano no país. Logo em 1890, o ultimato britânico, resultante da chamada crise do “mapa cor-de-rosa”, vai impor uma humilhante derrota à diplomacia portuguesa e às ambições territoriais do país em África; depois, o continuado rotativismo entre os partidos Progressista e Regenerador, provoca um elevado desgaste político e o descrédito das instituições governamentais; e, por fim, o apoio dado a João Franco, em 1906, como presidente do concelho, e à sua subsequente ditadura, vão ajudar a um comprometimento irremediável do futuro da monarquia portuguesa. O regicídio de 1908, a 1 de fevereiro, no Terreiro do Paço, em Lisboa (Portugal), será o culminar da situação, indo colocar fim à vida do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro do trono D. Luís Filipe, assassinados por simpatizantes republicanos. Dois acontecimentos ligam este monarca aos Açores: 1.º, a promulgação do decreto de 2 de março de 1895, quando era presidente do conselho de ministros o micaelense Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro (1849-1907; presidente do conselho 1893-1897, 1900-1904 e 1906), que estabeleceu a possibilidade de um regime de autonomia administrativa ao arquipélago; e 2.º, a visita do casal régio às ilhas, entre 27 de junho e 11 de julho de 1901, passando por Santa Maria, Faial, Pico, Graciosa, Terceira e São Miguel, tendo nesta última ficado a residir no Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada (então propriedade da família Jácome Correia e hoje sede da Presidência do Governo Regional dos Açores).

Amâncio da Silveira Gago da Câmara (1852-1919) foi homem de cultura e pintor amador de algum mérito. Membro da aristocracia terratenente, nasceu e morreu em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel (Açores, Portugal), tendo sido o 1.º conde dos Fenais, por concessão do rei D. Carlos I de Portugal (Decreto de 10 de abril de 1902).
PEDRO PASCOAL DE MELO (outubro, 2023)

Bibliografia consultada: LAMAS, Manuel. - "Amâncio da Silveira Gago da Câmara", in Enciclopédia Açoriana
 [Disponível em: Câmara, Amâncio da Silveira Gago da. Governo dos Açores. Acesso em: 12 out. 2024]; RAMOS, Rui. D. Carlos: 1863-1908. Lisboa: Círculo de Leitores, 2006.

Dimensões:
A. 92 x L. 73 cm
Nº de Inventário:
PS0369
Data de produção:
1904
Material e técnicas
Óleo s/tela - Pintura
Madeira, gesso e ouro (Moldura) - Ensamblada, moldada, dourada
Incorporação:
Esta pintura faz parte um conjunto de objetos doados à Região Autónoma dos Açores, em 1981, por D. Josefa Gabriela Borges de Sousa Jácome Correia Hintze Ribeiro (1920-1984), no âmbito da venda do Palácio de Sant'Ana para sede da Presidência do Governo dos Açores, constando de um Contrato de Doação, datado de 2 de abril daquele ano, onde pode ler-se na página 2: "[...] - 1 quadro grande a óleo pintado pelo Conde dos Fenais, representando D. Carlos [...]". Integra desde então as coleções da Presidência do Governo dos Açores, estando cedido temporariamente ao Núcleo da Autonomia dos Açores do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada.

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