Casa Leitão & Irmão


Nome completo:
Casa Leitão & Irmão

A Casa Leitão & Irmão remonta a 1822, quando José Pinto Leitão estabeleceu um atelier de ourivesaria na Rua das Flores, no Porto, tradicional arruamento de ourives. A loja-oficina permitia aos clientes acompanhar o trabalho artesanal, centrado em peças populares como corações, arrecadas e cordões. A punção registada JPL assinalou o início da tradição familiar, que se manteria por várias gerações.

Em 1866, os filhos de José Pinto Leitão, Narciso e Olindo, assumiram a direção da casa, adotando a designação Leitão & Irmão. A casa ganhou reconhecimento internacional em 1872, quando D. Pedro II, Imperador do Brasil, lhes concedeu o título de Ourives da Casa Imperial do Brasil. Em 1877, foi inaugurada a filial no Chiado, em Lisboa, aproximando-se da Corte e consolidando a presença da casa na capital. Neste período, a Leitão & Irmão destacou-se pela renovação das tradições da ourivesaria portuguesa, no espírito historicista que caracterizou o final do século XIX.

Em 1886, a casa concebeu o conjunto de joias oferecido à princesa D. Amélia de Orleães por ocasião do seu casamento com o príncipe herdeiro da Coroa Portuguesa, D. Carlos. O conjunto incluía diadema, colares e outras peças em brilhantes e safiras, refletindo o elevado prestígio da casa junto da realeza. No ano seguinte, D. Luís I, rei de Portugal entre 1861 e 1889, conhecido pelo seu gosto pelas artes e pela modernização do país, conferiu à casa o título de Joalheiros da Coroa. D. Luís tornou-se cliente assíduo, encomendando e oferecendo peças a familiares e personalidades, fortalecendo a reputação da Leitão & Irmão junto da Corte. Em 1888, no contexto das relações diplomáticas e religiosas da monarquia portuguesa, D. Luís I ofereceu ao Papa Leão XIII um cálice executado pela Casa Leitão & Irmão, com o qual o pontífice celebrou a missa do seu jubileu; esta peça integra hoje o património do Vaticano.

Em 1887, foi também registada na Contrastaria de Lisboa a punção atualmente utilizada, composta pela letra “L” encimada por uma figura feminina de esfinge, que permanece em vigor até hoje, sendo a marca mais antiga ainda ativa nas contrastarias portuguesas.

Entre os clientes açorianos de relevo destacam-se José Maria Raposo do Amaral, industrial e político, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e Par do Reino, que em 1898 encomendou uma guarnição de mesa, e Aires Jácome Correia, 2.º Conde e primeiro e único Marquês de Jácome Correia, historiador e figura cultural açoriana, que, entre os anos 1910 e 1920, adquiriu uma rica baixela em prata, uma das várias peças encomendadas à casa ao longo da sua vida.

No início do século XX, a Leitão & Irmão manteve-se na vanguarda técnica e artística. Em 1900, colaborou com Columbano Bordalo Pinheiro na criação da Baixela Barahona, considerada uma obra-prima da ourivesaria portuguesa. Em 1901, executou o Cofre Hintze Ribeiro, um cofre de cidadania em prata oferecido a Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro por um grupo de conterrâneos açorianos, em reconhecimento ao estadista natural da ilha do Faial. Em 1907, produziu outro cofre de cidadania destinado ao príncipe D. Luís Filipe durante a viagem real às colónias africanas.

Durante a terceira geração, Jaime de Castro Leitão estudou em Paris e, em 1917, concebeu um faqueiro Art Déco em colaboração com René Lalique, peça que se mantém em produção atualmente.

Ao longo do século XX, a casa consolidou o seu prestígio com obras emblemáticas, incluindo a Taça de Portugal (1939) e a Coroa Preciosa de Nossa Senhora de Fátima (1942), posteriormente adaptada para incorporar a bala do atentado ao Papa João Paulo II. Em 1981, realizou o Presépio em colaboração com a artista Graça Costa Cabral, natural da ilha de São Miguel, Açores.

No século XXI, a Casa Leitão & Irmão continuou a aliar tradição e inovação, recebendo o Prémio l’Art de la Table em 2004, desenvolvendo cravações inovadoras de diamantes em 2009 e criando a Coroa do Novo Milénio (2017) para a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Após o incêndio da loja do Chiado em 2020, a casa reabriu em seis meses, modernizada e renovada. Em 2022, celebrou o bicentenário, consolidando a sua posição de referência na ourivesaria portuguesa, destacando-se na produção personalizada de joias, faqueiros, baixelas e no restauro de peças históricas, mantendo a excelência artesanal que caracteriza a marca.
ANA FERNANDES e PEDRO PASCOAL DE MELO (Dezembro, 2025)

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