VASO (de um par)
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VASO (de um par)
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VASO (de um par)

Jarrón (ES)
Vase (EN/FR/DE)
花瓶 (JP)
Artes Decorativas e aplicadas
China
- Produtor

Título Alternativo:
Jarrão
Descrição:
Vaso. Porcelana decorada com esmaltes coloridos. China, primeira metade do século XX. Integrante de um par (ver: PGRA-PCG0793). NOTA: PEÇA EM INTERVENÇÃO DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO.

Vaso de grande formato em porcelana chinesa, decorado em esmaltes da família verde (famille verte), datável da primeira metade do século XX. Apresenta corpo ovóide de perfil robusto, apoiado sobre base circular, e colo alto que se abre numa boca amplamente extrovertida, de configuração campaniforme. A superfície é integralmente revestida por pintura policroma aplicada sobre o vidrado, em que predominam tonalidades de verde e azul, articuladas com vermelhos e ocres. A decoração desenvolve uma paisagem montanhosa idealizada, estruturada em sucessivos planos com escarpas, vegetação, cursos de água e formações nebulosas estilizadas, evocando convenções da tradição pictórica erudita chinesa. Neste enquadramento paisagístico dispõem-se diversas figuras trajando vestes longas e fluidas, identificáveis, de forma plausível, como os “Oito Imortais” (Bāxiān) da tradição daoísta, reconhecíveis pelos seus atributos. Organizadas em pequenos agrupamentos ao longo da composição, contribuem para a construção de uma narrativa contínua que se desenvolve em torno do corpo do vaso. O bordo é rematado por uma faixa decorativa de motivos florais densamente entrelaçados, avivada por filete dourado, enquanto na zona inferior se observa uma cercadura de padrão geométrico repetitivo, que enquadra a cena figurativa. Duas asas laterais aplicadas, vazadas e de perfil sinuoso, introduzem um elemento escultórico de relevo; a sua morfologia zoomórfica, inspirada nos chamados cães de Fo (leões guardiões chineses), reforça o caráter ornamental e simbólico da peça.

Produção de matriz revivalista que retoma modelos decorativos associados à porcelana da dinastia Qing (1644–1911), amplamente reinterpretados em épocas posteriores e com significativa difusão em mercados ocidentais desde o século XIX. A tipologia e o programa iconográfico enquadram-se em produções destinadas a circuitos alargados, incluindo a exportação, admitindo-se a sua eventual inserção em redes com ligação a entrepostos como Macau, no contexto das trocas sino‑portuguesas. A estrutura compositiva e a linguagem formal evidenciam a continuidade de convenções da pintura erudita chinesa. Atendendo às dimensões e ao tratamento decorativo, admite-se uma função predominantemente ornamental, sem evidência de utilização utilitária específica.

Na tradição artística chinesa, a representação dos "Oito Imortais" constitui um dos motivos iconográficos mais difundidos nas artes decorativas. Oriundas do universo mitológico daoísta, estas figuras distinguem-se pelos seus atributos específicos, que permitem a sua identificação individual — entre os quais se destacam a espada de Lü Dongbin, a flauta de Han Xiangzi, a cabaça e a muleta de Li Tieguai, o leque de Zhongli Quan, o cesto de flores de Lan Caihe, as castanholas de Cao Guojiu, o lótus de He Xiangu e o tambor de Zhang Guolao. Habitualmente representados em cenários naturais idealizados, compostos por paisagens montanhosas, formações nebulosas e cursos de água, os Oito Imortais surgem frequentemente associados a outras figuras da tradição chinesa, como Shoulao, deus da longevidade, e Xiwangmu, a Rainha-Mãe do Ocidente, guardiã dos pêssegos da imortalidade. Para além do seu valor narrativo, a sua presença reveste-se de forte significado auspicioso, associando-se a ideias de longevidade, prosperidade, harmonia e proteção. A inclusão deste tema na decoração de porcelanas inscreve-se, assim, numa longa tradição ornamental, na qual a dimensão simbólica reforça a função representativa destes objetos, quer no contexto doméstico de estatuto elevado, quer enquanto peças destinadas a oferta, circulação comercial ou exportação.
PEDRO PASCOAL DE MELO / PGRA (Maio, 2026)

Bibliografia consultada:
  • CARNEIRO, José Manuel Martins (coord.) — Porcelanas Orientais do Palácio Nacional da Pena. [s.l.]: Instituto Português do Património Cultural, [s.d].
  • HOWARD, David; AYERS, John  — China for the West: Chinese Porcelain and Other Decorative Arts for Export. Londres e Nova Iorque: Sotheby Parke Bernet, 1978.

Dimensões:
Totais : A. 88 x D. 31 cm
Nº de Inventário:
PGRA-PCG0794
Data de produção:
circa 1901 - 1950
Material e técnicas
Cerâmica (porcelana) - moldada e vidrada, esmaltes policromos (família verde), pintura manual
Incorporação:
Peça adquirida em meados da década de 1980, como parte da ação de reconstrução do Palácio dos Capitães-Generais, após o sismo de 1981. O objetivo era decorar o edifício, sendo o processo conduzido com o auxílio de Francisco Ernesto Oliveira Martins, conhecido colecionador terceirense, que na altura exercia as funções de conservador do palácio. Atualmente, pertence as coleções da Presidência do Governo dos Açores, encontrando-se em exposição no Palácio dos Capitães-Generais, em Angra do Heroísmo. Entidade relacionada

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