O brasão encontrava-se na fachada, sobre o portal único, no eixo do frontispício, da ermida dita de Santa Margarida de Chaves, situada na atual rua Escultor Ernesto Canto da Maia (antiga Rua dos Prestes), em Rosto do Cão, nos arredores de Ponta Delgada, edificada no último quartel do século XVII pelo capitão Francisco Afonso de Chaves, descendente colateral de Margarida de Chaves (1515–1575), declarada venerável pela Igreja Católica. Natural da mesma cidade, ela revelou desde cedo acentuada inclinação para a vida religiosa, passando longos períodos em contemplação e adotando um modo de vida austero, pautado por rigorosa observância. A sua reputação de santidade foi-se consolidando, intensificando-se na fase final da vida e após a morte, ocorrida em ambiente de grande aparato devocional. Em consequência, foram-lhe atribuídos diversos milagres por intercessão, o que levou à abertura de um processo de averiguação por iniciativa do bispo de Angra, D. Pedro de Castilho. Deste resultou um sumário, datado de 27 de março de 1586, remetido a Roma com vista à canonização. Em antecipação desse reconhecimento — que não chegou a concretizar-se, não tendo sido elevada à condição de beata —, foi erigida em Ponta Delgada uma ermida, junto à sua residência, entretanto desaparecida, inicialmente dedicada a Santa Margarida Mártir, onde se procurou instituir o culto da venerável, bem como a referida ermida dos Prestes, noutra propriedade familiar.
O brasão, junto com um frontal de altar (vd. PGRA-PS0714) com as mesmas armas — colocado no altar-mor da ermida —, foi retirado do seu local original por Aires Jácome Correia, marquês de Jácome Correia (1832–1937), cerca de 1920, tendo sido transferido para a sua residência, o Palácio de Sant’Ana, onde se encontra atualmente aplicado na parede sul da escada de serviço. A cronologia desta deslocação carece, contudo, de confirmação documental. Integra um conjunto de azulejaria dos séculos XVII e XVIII proveniente de edificações civis e religiosas da ilha de São Miguel, muitas das quais entretanto desaparecidas. Permaneceu no edifício aquando da venda do Palácio de Sant’Ana à Região Autónoma dos Açores, formalizada em 30 de dezembro de 1977.
PEDRO PASCOAL DE MELO / Junho, 2026
Bibliografia consultada:
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