BRASÃO DE ARMAS DOS CHAVES

Escudo de armas de los Chaves (ES)
Coat of arms of the Chaves family (EN)
Armoiries de la famille Chaves (FR)
Wappen der Familie Chaves (DE)
シャヴェス家の紋章 (JP)
Artes Decorativas e aplicadas
Não identificado
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Título Alternativo:
Brasão de armas dos Chaves da Ermida de Santa Margarida de Chaves, Rosto do Cão (Ponta Delgada)
Descrição:
Brasão de armas da família Chaves, proveniente da ermida de Santa Margarida de Chaves, Rosto do Cão (Ponta Delgada). Painel de azulejos policromos. Produção portuguesa, circa 1675–1700.

Brasão de armas em cerâmica vidrada e policroma, nas tonalidades de azul, amarelo, verde e manganês sobre fundo branco, constituído por painel de 5 × 5 azulejos. A composição apresenta o escudo de armas da família Chaves — de prata, com cinco chaves de ouro postas em pala, com os palhetões voltados para fora — encimado por elmo de perfil, acompanhado de paquife de acantos estilizados.

O brasão encontrava-se na fachada, sobre o portal único, no eixo do frontispício, da ermida dita de Santa Margarida de Chaves, situada na atual rua Escultor Ernesto Canto da Maia (antiga Rua dos Prestes), em Rosto do Cão, nos arredores de Ponta Delgada, edificada no último quartel do século XVII pelo capitão Francisco Afonso de Chaves, descendente colateral de Margarida de Chaves (1515–1575), declarada venerável pela Igreja Católica. Natural da mesma cidade, ela revelou desde cedo acentuada inclinação para a vida religiosa, passando longos períodos em contemplação e adotando um modo de vida austero, pautado por rigorosa observância. A sua reputação de santidade foi-se consolidando, intensificando-se na fase final da vida e após a morte, ocorrida em ambiente de grande aparato devocional. Em consequência, foram-lhe atribuídos diversos milagres por intercessão, o que levou à abertura de um processo de averiguação por iniciativa do bispo de Angra, D. Pedro de Castilho. Deste resultou um sumário, datado de 27 de março de 1586, remetido a Roma com vista à canonização.  Em antecipação desse reconhecimento — que não chegou a concretizar-se, não tendo sido elevada à condição de beata —, foi erigida em Ponta Delgada uma ermida, junto à sua residência, entretanto desaparecida, inicialmente dedicada a Santa Margarida Mártir, onde se procurou instituir o culto da venerável, bem como a referida ermida dos Prestes, noutra propriedade familiar.

O brasão, junto com um frontal de altar (vd. PGRA-PS0714) com as mesmas armas — colocado no altar-mor da ermida —, foi retirado do seu local original por Aires Jácome Correia, marquês de Jácome Correia (1832–1937), cerca de 1920, tendo sido transferido para a sua residência, o Palácio de Sant’Ana, onde se encontra atualmente aplicado na parede sul da escada de serviço. A cronologia desta deslocação carece, contudo, de confirmação documental. Integra um conjunto de azulejaria dos séculos XVII e XVIII proveniente de edificações civis e religiosas da ilha de São Miguel, muitas das quais entretanto desaparecidas. Permaneceu no edifício aquando da venda do Palácio de Sant’Ana à Região Autónoma dos Açores, formalizada em 30 de dezembro de 1977.
PEDRO PASCOAL DE MELO / Junho, 2026

Bibliografia consultada:

  • A Influência Oriental na Cerâmica Portuguesa do séc. XVII [catálogo de exposição]. Milão: ELECTA-Lisboa 94, 1994.
  • CORREIA, AIres Jácome, marquês de Jácome Correia — "Questões d'Arte", [Jornal] O autonómico: folha semanal, A. 35, N.º 1589 (1932-12-17). Disponível em: O autonomico : folha semanal, A. 35, Nº 1589 (1932-12-17) - AZoreana. Acesso em: 03 jun. 2026).
  • PIMENTEL, Manuel Cândido — "Margarida de Chaves", in Enciclopédia Açoriana [recurso eletrónico]. [S.l.]: Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa/Direção Regional dos Açores, 2002. Disponível em: Direção Regional da Cultura. Acesso em: 03 jun. 2026.
  • SIMÕES, João Miguel dos Santos — Azulejaria nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963.
  • SIMÕES, João Miguel dos Santos — Azulejaria em Portugal no século XVII, 2 vols.. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1971.

Dimensões:
Totais : A. 69 x L. 69 cm
Nº de Inventário:
PGRA-PS1101
Data de produção:
circa 1675 - 1700
Material e técnicas
Faiança - Moldagem; vidrado estanífero; pintura sobre vidrado; policromia
Incorporação:
Peça pertencente ao património integrado do Palácio de Sant’Ana, adquirido pela Região Autónoma dos Açores a Maria Josefa Gabriela Borges de Sousa Jácome Correia Hintze Ribeiro (1894–1990), por escritura de 30 de dezembro de 1977. Integra atualmente as coleções da Presidência do Governo Regional dos Açores, estando em exposição no referido palácio, em Ponta Delgada.

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