JARRA
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JARRA

Jarrón [ES]
Vase [EN/FR/DE]
花瓶 [JP]
Artes Decorativas e aplicadas
Real Fábrica de Louça (do Rato)
- Produtor (atrib.)

Tomás Brunetto
- Produtor (atrib.)

Descrição:
Jarra em faiança. Vaso ornamental. Produção portuguesa, não marcada, atribuída à Real Fábrica de Louça (do Rato, Lisboa) durante a direção artística de Tomás Brunetto, circa 1769‑1771.

Faiança rodada, com esmalte estanífero branco e policroma policroma aplicada manualmente. Peça de corpo ovóide alongado, apresentando o bojo superior largo e arredondado, estreitando na zona inferior antes de voltar a alargar para a base circular. O colo, alto e ligeiramente cónico, destaca-se do perfil por uma transição bem marcada. A partir do ombro desenvolvem-se quatro reservas polilobadas, delimitadas por filetes azuis e preenchidas com flores e folhagens estilizadas pintadas em azul, amarelo e verde. Os intervalos entre as reservas são ocupados por lambrequins ascendentes e descendentes sobre fundo azul, ornamentados com enrolamentos, rendilhados e outros elementos vegetalistas executados em azul e amarelo. O ombro é rematado por uma cercadura de motivos geométricos, enquadrada por filetes azuis. No colo surge uma segunda cercadura, composta por elementos vegetalistas e geométricos nas mesmas tonalidades. A base apresenta filetes concêntricos pintados em azul e amarelo, contribuindo para a unidade cromática da decoração. A superfície da peça integra ainda realces a dourado, aplicados de forma pontual sobre os elementos decorativos, conferindo brilho e valorização ornamental.

As características formais e decorativas da peça são compatíveis com produções da Real Fábrica de Louça do Rato durante a direção artística de Tomás Brunetto (entre 1767-1771), período marcado pela fase inicial de experimentação de moldes, esmaltes e técnicas, bem como pelo desenvolvimento de composições mais complexas e refinadas, refletindo uma adaptação criativa de repertórios ornamentais internacionais. A organização espacial da decoração, o uso de reservas recortadas e a alternância entre campos ornamentais e fundos preenchidos, assim como o predomínio do azul combinado com policromia e pontuais apontamentos dourados, indicam uma provável influência da porcelana chinesa de exportação, reinterpretada segundo o vocabulário ornamental da faiança portuguesa do século XVIII. A aplicação pontual e invulgar de dourados, sem paralelo em outros exemplos conhecidos, evidencia a originalidade da peça e sugere um gosto inovador de Brunetto, com abordagem singular à técnica decorativa. A ausência de marca impede, contudo, uma atribuição definitiva, sendo a proposta sustentada por afinidades estilísticas, técnicas e formais. Destinada sobretudo ao uso decorativo, a jarra reflete o gosto ao consumo de louça fina nos interiores da elite portuguesa do século XVIII.

A título de hipótese de proveniência, esta jarra poderá ter pertencido à coleção do 1.º Conde do Ameal, João Maria Correia Aires de Campos (1847-1920), reunida na sua residência, o antigo Colégio Universitário de São Tomás de Aquino (Ordem de São Domingos), em Coimbra, e posteriormente dispersa num leilão realizado em 1921. A informação provém do antiquário e colecionador Eduardo Rangel Pamplona Silvano (1924-1999), que, em 1986, cedeu  a peça à Presidência do Governo Regional dos Açores.
PEDRO PASCOAL DE MELO / PGRA (Setembro, 2024)

Bibliografia consultada:
  • CALADO, Rafael Salinas. Faiança portuguesa da Casa-Museu Guerra Junqueiro: século XVII-XVIII. Porto: Câmara Municipal do Porto, 2003.
  • LOUREIRO, Nicole Ballu (org.). A faiança do Rato na colecção Artur Maldonado Freitas [catálogo de exposição]. Caldas da Rainha: Museu de Cerâmica, 1984. 
  • MUSEU Nacional do Azulejo. Real Fábrica de Louça, ao Rato [catálogo de exposição]. Lisboa: Museu Nacional do Azulejo, 2003.
  • VENTE d'Objets d'Art. Collections Comte de Ameal. Catalogue Descriptif. Lisboa: Empresa de Móveis, 1921.

Dimensões:
Totais : A. 24 x D. 13,5 cm
Nº de Inventário:
PGRA-PS0012
Data de produção:
circa 1769 - 1771
Material e técnicas
Cerâmica (Faiança) - Rodada, esmaltada, pintada e dourada
Incorporação:
Adquirida em 1986, durante a vigência do III Governo dos Açores (1984-1988), ao antiquário e colecionador Eduardo Rangel Pamplona Silvano (1924-1999). Integra desde então as coleções da Presidência do Governo dos Açores, estando em exposição no Palácio de Sant'Ana, em Ponta Delgada.

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