A Expansão Portuguesa e a Arte do Marfim

Exposição, CNCDP, Arte do Marfim, 1991
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A exposição “A Expansão Portuguesa e a Arte do Marfim” realizou-se na Fundação Calouste Gulbenkian, na Galeria de Exposições Temporárias, em Lisboa, entre 25 de junho e 15 de setembro de 1991. Teve comissariado geral de Francisco Hipólito Raposo e coordenação de Francisco Faria Paulino. A iniciativa foi da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (1986‑2002), organismo público criado pelo Decreto-Lei n.º 391/86, de 22 de novembro, e integrado na Presidência do Conselho de Ministros, com a missão de preparar, organizar e coordenar as celebrações dos Descobrimentos Portugueses do século XV. A Comissão foi extinta pelo artigo 2.º da Lei n.º 16-A/2002, de 31 de maio, regulamentada pelo Decreto-Lei n.º 252/2002, de 22 de novembro, tendo as suas competências e arquivos sido transferidos para o Ministério da Cultura. O principal objetivo da mostra foi apresentar e analisar a arte do marfim produzida ou circulada no contexto da expansão ultramarina portuguesa, evidenciando a estreita relação entre percursos comerciais, trocas culturais e desenvolvimento artístico. A exposição procurou demonstrar como Portugal, através do seu comércio e presença ultramarina, se integrava em redes globais de circulação de objetos de luxo, influenciando e sendo influenciado por centros artísticos europeus, africanos e asiáticos. Foram destacadas peças provenientes de Goa, Malaca, Nagasaki, Manila e outros centros de produção, ilustrando a capacidade das oficinas locais de reinterpretar modelos europeus à luz de tradições regionais e exigências missionárias. Esta adaptação resultou em objetos de grande sofisticação formal e iconográfica, que conjugavam simbolismo cristão, técnicas artísticas locais e elementos decorativos orientais, refletindo um sincretismo cultural e religioso particularmente evidente nas esculturas de marfim com iconografia do Bom Pastor ou de figuras devocionais associadas à Contrarreforma. A exposição sublinhou também a dimensão pedagógica e devocional destes objetos, destinados frequentemente a oratórios privados, nos quais a imagem cumpria uma função de ensino catequético persuasivo e eficaz. Ao explorar não apenas o valor estético das peças, mas também a sua função social e religiosa, a mostra permitiu compreender como a arte do marfim se tornou um instrumento de comunicação, devoção e consolidação da fé, expressando simultaneamente prestígio, poder económico e alcance cultural da expansão portuguesa. Deste modo, “A Expansão Portuguesa e a Arte do Marfim” não se limitou à apresentação de um repertório artístico, mas constituiu uma reflexão abrangente sobre os intercâmbios culturais, o sincretismo iconográfico e o papel do luxo e da arte sacra na construção de redes de poder, comércio e fé durante os séculos da expansão ultramarina portuguesa. PEDRO PASCOAL DE MELO / PGRA
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