RETRATO DE D. ANTÃO DE ALMADA, 1.º CAPITÃO-GENERAL DOS AÇORES
RETRATO DE D. ANTÃO DE ALMADA, 1.º CAPITÃO-GENERAL DOS AÇORES
RETRATO DE D. ANTÃO DE ALMADA, 1.º CAPITÃO-GENERAL DOS AÇORES
RETRATO DE D. ANTÃO DE ALMADA, 1.º CAPITÃO-GENERAL DOS AÇORES
RETRATO DE D. ANTÃO DE ALMADA, 1.º CAPITÃO-GENERAL DOS AÇORES
RETRATO DE D. ANTÃO DE ALMADA, 1.º CAPITÃO-GENERAL DOS AÇORES

RETRATO DE D. ANTÃO DE ALMADA, 1.º CAPITÃO-GENERAL DOS AÇORES

Retrato de Antão de Almada, 1.º Capitán General de las Azores [ES]
Portrait of Antão de Almada, 1st Captain-General of the Azores [EN]
Portrait de Antão de Almada, 1er Capitaine Général des Açores [FR]
Porträt von Antão de Almada, erster Generalhauptmann der Azoren [DE]
アゾレス諸島の初代総督アントン・デ・アルマダの肖像 [JP]
Artes visuais
Miguel António do Amaral (pintor, 1712-1780)
- Autor

Descrição:
Representação de D. Antão de Almada, 1.º Capitão-General dos Açores. Óleo sobre tela. Assinada Miguel António do Amaral, não datada (circa 1766-1777).

Pintura, a óleo sobre tela, emoldurada, representando D. Antão de Almada (1718-1797), 1.º Capitão-General dos Açores. O retratado surge de corpo inteiro, de pé, com o tronco ligeiramente voltado para a esquerda e o rosto orientado para a direita, olhando diretamente o observador. Usa uma cabeleira postiça, curta, penteada em rabo de cavalo e empoada, conforme a moda da época. Enverga uma casaca e um calção justo de veludo escarlate, ricamente bordados a ouro, acompanhados de uma camisa branca com jabot ( folho ao peito) e punhos rendados, um colete dourado e um peitoral de armadura. Da cintura, pende um espadim preso a um cinto, sobre o qual se sobrepõe uma faixa verde. Nos pés, calça botas de cano alto com esporas. Ao pescoço, ostenta a cruz da Ordem de Cristo, suspensa por uma fita vermelha. A mão esquerda apoia-se num bastão de general, que repousa sobre uma mesa coberta por um pano púrpura agaloado, onde também se encontram um chapéu tricórnio e um elmo emplumado, enquanto a mão direita descansa sobre a cintura. O fundo da pintura apresenta um interior ricamente decorado, com panejamento e uma coluna clássica, que se abre para um céu amplo, conferindo profundidade e grandiosidade à cena. Na base, uma legenda pintada exibe a inscrição: "Dom Antaõ de Almada do Cons.co do Snr. Rey D. Joze o 1.º e Seu M.e Salla; Snr. da Villa de Pombalinho. Comendador da Ordem de Christo, Alcayde mor de Proença a Nova, 1.º Governador e Capitaõ General das Ilhas dos Assores e nellas Regedor das Justiças e Fundador do mesmo Governo". A obra está assinada "Michael Antonius Fecit" na parte frontal, junto à bota direita do retratado. O quadro apresenta uma moldura retangular em madeira, com meias-canas côncavas, pintada de preto e ornamentada com frisos, enrolamentos, concheados e motivos vegetalistas dourados, dispostos nos cantos e ao centro de cada lado. Na parte inferior, uma placa de madeira dourada exibe, em relevo, a inscrição: "D. Antão de Almada".

D. Antão de Almada foi o primeiro Capitão-General dos Açores, cujo título completo era Presidente da Junta da Administração e Arrecadação da Real Fazenda, Governador e Capitão-General das Ilhas dos Açores. Exerceu funções entre 7 de outubro de 1766 e 15 de agosto de 1775. No exercício do cargo, enquadrado no novo modelo administrativo centralizador promovido pela Coroa, procurou afirmar a autoridade régia no arquipélago, nomeadamente através de uma maior articulação entre as diferentes ilhas e do reforço das estruturas administrativas e fiscais. Promoveu a adaptação do antigo Colégio de Jesuítas de Angra a residência oficial, iniciativa que traduziu simbolicamente a instalação permanente do poder régio na Terceira e a reorganização administrativa subsequente à expulsão da Companhia de Jesus; por essa razão, o edifício ficou desde então conhecido como Palácio dos Capitães‑Generais. A sua governação ficou também associada a medidas de ordenação administrativa, ao acompanhamento das rendas e jurisdições da Fazenda Real e à tentativa de maior controlo sobre as autoridades locais, num contexto em que persistiam autonomias insulares e poderes concelhios consolidados. Neste sentido, a criação da Capitania‑Geral traduziu-se numa progressiva concentração de competências políticas e militares, ainda que a sua aplicação prática tivesse de se adaptar às especificidades geográficas e institucionais do arquipélago. Nasceu em Condeixa-a-Nova, a 19 de abril de 1718, no seio de uma família da alta aristocracia portuguesa. Foi 9.º senhor do Pombalinho e 14.º senhor dos Lagares d’El‑Rei, alcaide-mor de Proença-a-Velha, membro do Conselho Régio de D. José I e, hereditariamente, seu mestre-sala. Era igualmente o 14.º titular do título de Conde de Avranches, criado em 1445 por Henrique VI de Inglaterra em favor de D. Álvaro Vaz de Almada (1390–1448) e seus descendentes. Distinguiu-se ainda como comendador da Ordem de Cristo, deputado da Junta dos Três Estados e administrador de diversas possessões portuguesas, entre outros cargos de relevo. Faleceu em Lisboa, a 26 de janeiro de 1797.

Este quadro integra um conjunto retratístico que inclui também as representações do rei D. José I de Portugal (1714-1777; rei de 1750 a 1777) e do então Secretário de Estado e 1.º marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782; secretário de estado de 1750 a 1777). De grande valor simbólico e político, as três efígies faziam parte de um programa retórico, comum na época, destinado à exaltação do poder Real, à afirmação do Estado absoluto a ele associado e à consolidação do domínio político, militar e judicial do Império sob seu comando. A sua presença no Palácio dos Capitães-Generais remonta à instalação da Capitania Geral nos Açores, sendo possível presumir que a obra tenha sido executada entre 1766, data em que D. Antão de Almada assumiu o cargo de Capitão-General, e 1777, ano em que foi afastado do cargo devido à morte do rei D. José I de Portugal.
PEDRO PASCOAL DE MELO / PGRA (Janeiro, 2025)

Bibliografia consultada:
  • FRANCO, Anísio  “As séries régias do Mosteiro de Santa Maria de Belém e a origem das fontes da iconografia dos reis de Portugal”, in FRANCO, Anísio (coord.)Jerónimos: 4 séculos de pintura [catálogo de exposição]. Lisboa: Mosteiro dos Jerónimos/IPPAAR, 1993, vol. I, p. 292-337.
  • FRANCO, Anísio; PENTEADO, Pedro  "A série régia de Miguel António do Amaral na Câmara Municipal da Moita", in SILVA, Teresa Rosa (org.), I Jornadas de história e património local. Moita: Câmara Municipal da Moita, 2004, pp. 87-115.
  • GONÇALVES, Susana Cavaleiro Ferreira Nobre  A arte do retrato em Portugal no tempo do barroco (1683-1750): Conceitos, tipologias e protagonistas [tese de doutoramento]. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2013 (Disponível em:  A arte do retrato em Portugal no tempo do barroco (1683-1750. Acesso em: 29 jan. 2025).
  • LEITE, José Guilherme Reis  "Antão de Almada", in Enciclopédia Açoriana [recurso eletrónico]. [S.l.]: Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa/Direção Regional dos Açores, 1996 (Disponível em: Antão de Almada. Acesso em: 29 jan. 2025).
  • LEITE, José Guilherme Reis [et al.]  Palácio dos Capitães-Generais. Ponta Delgada: Presidência do Governo Regional dos Açores, 2012.
  • LOUREIRO, José Luís  "Novos dados sobre o pintor Estanislau Luís António (1744-1804)", in Revista Museu, IV Série, N.º 23 (2017), pp. 59-82.
  • MACHADO, Cirilo Volkmar  Collecção de memórias, relativas às vidas dos pintores, e escultores, architetos, e gravadores portuguezes, e dos estrangeiros, que estiverão em Portugal. Lisboa: Imprensa de Victorino Rodrigues da Silva, 1823, p. 87 (Disponível em: Collecção de memorias. Acesso em: 29 jan. 2025).
  • MARTINS, Francisco Ernesto de Oliveira  Palácio dos Capitães-Generais: Subsídios para a sua história. Angra do Heroísmo: Secretaria Regional da Administração Interna, 1989.
  • SERRÃO, Vítor; KAGANÉ, Liudmila; CURTO, Irina Marcelo . "Retratos de autoria Miguel António do Amaral em Portugal e na Rússia", in Arte Russa [número especial, consagrado às relações russo-portuguesas], 2018 (outubro), pp. 72-79 (Disponível em: REVISTA ARTE RUSSA | 2018). Acesso em 31 jan. 2025).

Dimensões:
Totais (moldura incluída) : A. 254,5 x L. 173 cm
Nº de Inventário:
PGRA-PCG0970
Data de produção:
circa 1766-1777
Material e técnicas
Óleo sobre tela
(Moldura) Madeira - Ensamblagem; entalhe; douramento; policromia
Incorporação:
Obra integrada no acervo regional na sequência da criação da Região Autónoma dos Açores, em 1976, no contexto da extinção dos Governos Civis e das Juntas Gerais dos Distritos Autónomos de Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada. Atualmente, pertence às coleções da Presidência do Governo Regional dos Açores, encontrando-se exposta no Palácio dos Capitães-Generais, em Angra do Heroísmo.

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